O governo de Vladimir Putin avançou novamente sobre a propriedade privada internacional ao decretar, nesta sexta-feira (18), a transferência do controle da subsidiária russa da Nestlé para administradores indicados pelo Estado. A medida, que configura um confisco temporário de ativos, gerou uma reação negativa imediata nos mercados financeiros, com as ações da multinacional suíça recuando 2,63% na Bolsa de Valores da Suíça.
Além da Nestlé, o Kremlin também assumiu o controle das operações das varejistas francesas Auchan e Leroy Merlin. A decisão foi formalizada por meio de um decreto presidencial, fundamentado em uma legislação aprovada em 2023 que autoriza a intervenção estatal em empresas originárias de nações classificadas por Moscou como "não amigáveis". Esse movimento de estatização forçada já havia atingido anteriormente gigantes como a Danone, a cervejaria Carlsberg e as geradoras de energia Fortum e Uniper.
Em resposta à intervenção, a Nestlé declarou publicamente que está avaliando as medidas legais cabíveis para proteger seus direitos de propriedade. A companhia enfatizou que busca garantir a continuidade das operações para preservar o interesse de seus colaboradores e parceiros comerciais no país. Atualmente, a gigante suíça mantém seis unidades fabris em território russo, dedicadas à produção de café, fórmulas infantis e alimentos para animais de estimação.
Analistas do banco JPMorgan destacaram, em relatório enviado a investidores, que o caso da Nestlé espelha as dificuldades enfrentadas pela Danone. A principal preocupação reside na incerteza sobre a capacidade de recuperação de capital em uma possível venda futura desses ativos. O cenário de insegurança jurídica imposto pelo governo russo levanta dúvidas sobre se os proprietários legítimos conseguirão reaver qualquer valor justo pelas infraestruturas confiscadas.
A escalada nas intervenções estatais russas reforça o isolamento econômico do país e acende o alerta para investidores globais sobre os riscos de atuar em jurisdições que não respeitam as liberdades econômicas e a inviolabilidade da propriedade privada. Com o mercado observando de perto os próximos passos de Moscou, o clima de instabilidade nas relações comerciais entre a Rússia e o Ocidente atinge um novo patamar de gravidade.
