O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu de forma incisiva à pressão de setores da oposição que exigem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sessão no plenário da Casa, o parlamentar trouxe à tona o controverso financiamento do filme 'Dark Horse', obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, para rebater as críticas que vem recebendo.
A fala de Alcolumbre foi um contra-ataque direto às cobranças de aliados do ex-mandatário. > "Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões de reais para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes", declarou o senador, referindo-se aos valores solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A menção ao projeto cinematográfico ocorre em um momento de desgaste para a família Bolsonaro. Na última segunda-feira, 1º, novas informações reveladas pela revista Piauí, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicaram que Vorcaro seguiu financiando a produção mesmo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter afirmado que os repasses haviam cessado.
O clima de tensão no Congresso escalou após o ministro André Mendonça, também do STF, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com 218 páginas. O documento detalha comunicações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, servindo de munição para parlamentares bolsonaristas intensificarem o movimento pela destituição de Moraes. Atualmente, o Senado acumula mais de 50 pedidos de impeachment contra o magistrado.
A prerrogativa de pautar tais pedidos cabe exclusivamente ao presidente do Senado. Ao citar as relações financeiras envolvendo o clã Bolsonaro e o mesmo banqueiro citado no relatório da PF, Alcolumbre sinaliza que não pretende ceder às pressões e sugere que há contradições nas acusações movidas pela oposição. O embate ganha novos contornos com a recente irritação da PF sobre depoimentos prestados por Vorcaro diretamente ao gabinete de Mendonça, sem o acompanhamento dos investigadores federais.

