O cenário político em Brasília sofreu uma alteração de ritmo importante nesta semana. O senador Davi Alcolumbre (União-AP), que atualmente comanda os rumos da pauta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), decidiu postergar a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho 6x1.
A decisão representa um revés para os planos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscava capitalizar politicamente com o avanço da medida. O adiamento ocorre em um momento estratégico: o Congresso Nacional entra em um período de esvaziamento iminente, com parlamentares voltando suas atenções para as bases eleitorais em função das campanhas políticas.
Com o movimento de Alcolumbre, a discussão sobre a redução da jornada semanal e a alteração da escala de trabalho deve ficar para depois do período eleitoral. Aliados do governo esperavam que o tema, que possui grande apelo popular e mobilização nas redes sociais, pudesse ser votado antes do recesso branco, garantindo uma vitória simbólica para a base governista.
Além do embate sobre a jornada de trabalho, os bastidores do Senado também foram marcados por esclarecimentos regimentais. Questionamentos sobre a tramitação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçaram que o poder de decisão sobre tais pedidos cabe à Mesa Diretora do Senado, e não a uma decisão monocrática de senadores específicos ou presidentes de comissões. A estrutura hierárquica da Casa mantém a prerrogativa coletiva da Mesa sobre a admissibilidade dessas petições.

