Em um movimento que sinaliza a aceitação institucional da alternância de poder, importantes lideranças do centro-direita paulista vieram a público reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito presidencial de 2026. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, ambos do MDB, manifestaram respeito ao resultado soberano das urnas, distanciando-se da retórica de contestação adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Ramuth utilizou suas redes sociais para reafirmar sua crença no sistema eleitoral. Em nota, o vice de Tarcísio de Freitas sublinhou que, embora tenha trabalhado arduamente pelo projeto de oposição, a vontade da maioria deve prevalecer. Ele foi incisivo ao criticar a postura do PL, partido de Flávio, que questionou judicialmente a prorrogação do horário de votação. Segundo Ramuth, a sigla agiu com incoerência ao solicitar a ampliação do tempo de votação em certas regiões para depois tentar anular o pleito com base na mesma medida.
Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado.
Na esfera municipal, o prefeito Ricardo Nunes adotou um tom pragmático e focado na estabilidade econômica. Nunes, que enfrentou uma eleição polarizada recentemente, destacou que o encerramento do ciclo eleitoral deve abrir espaço para a busca de harmonia nacional. Ele manifestou o desejo de que o novo governo logre êxito na recuperação dos indicadores econômicos, visando a melhoria do bem-estar social.
Enquanto seus aliados mdbistas se posicionavam, o governador Tarcísio de Freitas manteve o silêncio oficial até a manhã desta segunda-feira. Tarcísio, que acompanhou a apuração em Brasília ao lado da família Bolsonaro, havia feito críticas pontuais a decisões judiciais durante o domingo, mas ainda não emitiu um comunicado formal sobre a derrota do aliado.
A resistência à oficialização dos números partiu diretamente do senador Flávio Bolsonaro. O candidato derrotado alegou impossibilidade de aceitar o desfecho eleitoral devido à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que permitiu o prolongamento da votação em seções com dificuldades de acesso. Flávio prometeu acionar o corpo jurídico para tentar a anulação do pleito. Contudo, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, rebateu as suspeitas, garantindo a integridade do processo e afirmando que as alterações pontuais de horário não tiveram o condão de desequilibrar a disputa.
