O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontra-se em uma posição de isolamento dentro da Corte ao tentar confrontar o que aliados chamam de blindagem institucional do sistema judiciário. O magistrado tem sido a única voz dissonante em processos sensíveis, enfrentando o que bastidores descrevem como uma postura de retaliação liderada pelo ministro Alexandre de Moraes.
A tensão entre os dois magistrados escalou após Mendonça questionar procedimentos adotados em inquéritos conduzidos por Moraes. O embate revela uma divisão profunda no tribunal, onde a maioria dos ministros tende a validar as decisões da ala mais incisiva da Corte em nome da preservação da democracia e da autoridade institucional.
Fontes próximas ao tribunal indicam que o isolamento de Mendonça não é apenas intelectual, mas também político. O magistrado, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro sob a alcunha de "terrivelmente evangélico", tem encontrado dificuldades para angariar apoio entre seus pares em temas que envolvem o devido processo legal e os limites das investigações que tramitam no STF.
A situação é vista por analistas jurídicos como um sintoma de um tribunal que, sob pressão externa, fechou fileiras, dificultando a existência de contrapontos internos. Enquanto Moraes mantém o controle sobre as principais peças investigativas do país, Mendonça busca, por meio de votos vencidos, marcar uma posição de resistência a métodos que considera excessivos, mesmo ciente da derrota iminente no plenário.

