A atividade econômica brasileira apresentou sinais claros de fadiga no início do segundo semestre. Segundo dados do Monitor do PIB, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a economia registrou uma queda de 0,4% em julho na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Este é o segundo recuo consecutivo do indicador, o que acende um alerta sobre a sustentabilidade do crescimento para o restante do ano.
Embora o confronto anual mostre uma alta de 1,3% em julho e de 1,8% no acumulado de 12 meses, a tendência de curto prazo preocupa analistas. De acordo com Juliana Trece, coordenadora da pesquisa na FGV, o resultado negativo de julho expõe a fragilidade dos pilares produtivos. O setor agropecuário recuou, enquanto a indústria e o setor de serviços ficaram estagnados, indicando uma perda de fôlego generalizada.
O consumo das famílias, muitas vezes impulsionado por transferências governamentais, registrou uma modesta alta de 0,4% no trimestre móvel encerrado em julho. Apesar de positivo, este é o menor avanço desde o final de 2025, sinalizando que a capacidade de gasto da população está chegando ao limite diante do cenário macroeconômico. O destaque positivo ficou por conta da compra de bens duráveis.
No campo dos investimentos, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) avançou 1,4% no trimestre móvel, puxada essencialmente pelo setor da construção civil. No entanto, houve um desempenho negativo no segmento de máquinas e equipamentos, o que sugere cautela do setor produtivo na renovação de parque industrial e tecnologia, elementos essenciais para o ganho de produtividade a longo prazo. A taxa de investimento em julho fixou-se em 18,7%.
O setor externo também mostrou moderação. As exportações subiram apenas 0,3% no trimestre encerrado em julho, freadas pela queda nas vendas de minerais. Em contrapartida, as importações saltaram 3,9% no mesmo período, impulsionadas pela compra de serviços e bens de capital no exterior. Em termos nominais, o PIB brasileiro acumulou R$ 7,853 trilhões até julho, evidenciando o tamanho do desafio para manter o equilíbrio das contas e a tração da economia real diante da desaceleração confirmada pela FGV.
