O mercado financeiro reagiu com forte pessimismo e aversão ao risco no primeiro pregão após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta, o valor de mercado das empresas listadas na B3 encolheu impressionantes R$ 734 bilhões em apenas um dia. O montante evaporado equivale a quase a totalidade do valor de mercado da Petrobras (98,4%).

A derrocada de 12,91% no valor consolidado das companhias, que caiu de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões, eliminou de uma só vez 75,5% de toda a valorização acumulada pela bolsa ao longo de 2026. O Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro, encerrou a segunda-feira (26) com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, registrando o pior desempenho diário desde o pânico gerado pela pandemia em março de 2020.

A desconfiança dos investidores quanto ao futuro das contas públicas e à agenda econômica do novo mandato petista foi tão intensa que a B3 precisou acionar o 'circuit breaker' logo na abertura dos trabalhos, paralisando as negociações por 30 minutos para tentar conter a sangria. O volume financeiro saltou para R$ 88,6 bilhões, triplicando a média diária e sinalizando uma corrida generalizada de saída de ativos brasileiros.

O resultado das urnas, que deu a vitória a Lula com 51,75% dos votos contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), frustrou o mercado, que precificava uma vitória do senador direitista. A reação negativa não ficou restrita às ações: o dólar disparou 8,21%, atingindo R$ 5,4027, a maior valorização diária da moeda americana frente ao real desde 1999.

Setores sensíveis à economia doméstica e estatais sofreram as maiores perdas. O Magazine Luiza despencou 58,23%, enquanto a Vamos e a Hapvida recuaram mais de 54%. No setor bancário, o Banco do Brasil liderou as baixas com queda de 29,33%, seguido pelo BTG Pactual (-24,83%) e Bradesco (-21,70%). Das 76 ações que compõem o Ibovespa, 68 fecharam no vermelho.

De acordo com analistas, o movimento de liquidação reflete o temor de um retrocesso nas reformas estruturantes e uma possível deterioração fiscal. A perda registrada nesta segunda-feira não apenas apagou o rali de R$ 409 bilhões observado entre o primeiro e o segundo turno, como deixou a bolsa em patamares R$ 325 bilhões inferiores ao período pré-eleitoral de outubro.