A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República detalhou, nesta segunda-feira (19), uma proposta que visa transformar a lógica da assistência social no Brasil. Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico do parlamentar, anunciou que um eventual governo do PL implementará uma regra de transição de dois anos para os beneficiários do Bolsa Família, focando na autonomia financeira e na porta de saída do programa.

A estratégia busca romper com o ciclo de dependência estatal. Segundo Marques, o período de carência servirá para que o cidadão possa abrir o próprio negócio ou aceitar um emprego formal sem o medo imediato de perder o suporte financeiro. O plano prevê um mecanismo de retorno automático ao benefício caso a investida no mercado de trabalho não prospere, garantindo segurança para que o beneficiário busque a ascensão social.

As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade.

A proposta está ancorada na criação do Ministério da Prosperidade. A nova pasta teria como missão central oferecer crédito para o empreendedorismo e promover programas de capacitação técnica, muitas vezes em parceria com a iniciativa privada. O objetivo é que a proteção social deixe de ser um destino final e passe a ser um trampolim para o desenvolvimento individual, integrando o cidadão ao crescimento econômico do país.

Enquanto a oposição foca na emancipação pelo trabalho, o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva aposta na expansão dos gastos diretos. Em setembro, em pleno período eleitoral, a gestão petista anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691. O reajuste ocorre após um longo período de congelamento desde o relançamento do programa em março de 2023.

A disputa de modelos fica clara na estratégia das campanhas para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. De um lado, a manutenção do assistencialismo como pilar central; de outro, a proposta de Flávio Bolsonaro que defende a dignidade por meio da liberdade econômica e da redução da tutela do Estado sobre as famílias brasileiras.