O espírito empreendedor do brasileiro atingiu um novo patamar de formalização em 2025. Segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira (23) pelo IBGE, o percentual de empregadores e trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) chegou ao recorde de 35%. O avanço é significativo quando comparado aos 24% registrados no início da série histórica, em 2012.
O fenômeno é puxado especialmente pelos autônomos. Nesse grupo, a taxa de cobertura de CNPJ saltou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, quase dobrando a presença formal desses profissionais no mercado. Já entre os empregadores, que historicamente apresentam maior nível de regularização, o índice subiu de 75,6% para 81,1% no mesmo período. Ao todo, o Brasil soma agora 26,2 milhões de trabalhadores por conta própria, o que representa um quarto da população ocupada no país.
A busca pela formalização está diretamente ligada à qualificação técnica e educacional. Pela primeira vez, mais da metade dos profissionais autônomos com ensino superior (50,8%) optaram por possuir um CNPJ. Para o coordenador da pesquisa, William Kratochwill, trabalhadores com maior instrução compreendem melhor as vantagens competitivas da formalidade e as facilidades proporcionadas por modelos tributários simplificados, como o Microempreendedor Individual (MEI).
O público com nível superior completo engloba prestadores de serviços que enfrentaram dificuldades para abrir empresa no Brasil. Mas programas como o MEI facilitaram o registro para a pessoa ter sua própria empresa legalizada.
Em termos absolutos, os autônomos formalizados já somam 7,1 milhões de pessoas, superando os 3,7 milhões de empregadores com CNPJ. Esse movimento reforça uma mudança estrutural no mercado de trabalho, onde a autonomia e a prestação de serviços ganham espaço. O IBGE destacou que, embora o debate sobre a "pejotização" exista, os dados atuais refletem majoritariamente a facilitação do ambiente de negócios para quem deseja empreender.
Regionalmente, o Sul lidera o ranking de formalização com 46,7%, seguido pelo Sudeste e pelo Centro-Oeste, ambos com 41,6%. O Centro-Oeste, impulsionado pelo dinamismo do agronegócio e serviços correlatos, deu um salto notável desde 2019, quando registrava 30,1%. No recorte de gênero, as mulheres seguem na vanguarda da organização empresarial: 36,7% das empreendedoras possuem CNPJ, superando a marca de 34,2% registrada entre os homens.
