O governo federal apresentou detalhes da regulamentação da reforma tributária que coloca o Brasil em uma posição de isolamento global negativo. Segundo as projeções oficiais enviadas ao Congresso Nacional, a nova alíquota padrão do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) deve atingir 26,5%. O índice não apenas supera as expectativas mais pessimistas do mercado, como deve conferir ao país o título de maior tributador de consumo do planeta.

Atualmente, a Hungria detém a maior alíquota de IVA do mundo, com 27%. No entanto, especialistas apontam que, devido à complexidade do sistema brasileiro e às exceções incluídas no texto, o imposto brasileiro tem grandes chances de ultrapassar a marca europeia na prática, onerando severamente o setor de serviços e o bolso do cidadão comum.

O Ministério da Fazenda defende que a unificação de impostos trará simplificação, mas o setor produtivo teme que a carga tributária elevada desestimule o investimento privado e reduza o poder de compra das famílias. O projeto agora depende da análise dos parlamentares, que enfrentam pressão para reduzir o apetite arrecadatório da União e dos estados.

A proposta de reforma, embora vendida como uma solução para o cipoal tributário brasileiro, acaba por confirmar o temor de muitos analistas: a manutenção de um Estado inchado que depende de uma extração recorde de recursos da sociedade para fechar suas contas. Caso o texto passe como está, o brasileiro passará a pagar a conta mais cara do mundo toda vez que consumir produtos básicos ou contratar serviços.