A campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL) deu um passo estratégico na ofensiva de fiscalização contra o PT. O ex-procurador da Lava Jato e senador eleito, Deltan Dallagnol (Novo-PR), foi o escolhido para coordenar a análise técnica dos documentos financeiros resultantes da quebra de sigilo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de pessoas próximas ao círculo petista.

A decisão de escalar Dallagnol baseia-se em sua vasta experiência no combate à corrupção. De acordo com o comitê de Flávio, o ex-membro do Ministério Público detém o conhecimento necessário para identificar conexões complexas que marcaram gestões anteriores, mencionando especificamente negócios ligados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Se Lula afirma não ter nada a esconder, a documentação precisa ser examinada com rigor, independência e sem concessões. O que importa não é o discurso, mas o que os documentos efetivamente demonstram, declarou a campanha de Flávio Bolsonaro em nota oficial.

O embate sobre a transparência das contas teve início após um desafio lançado pelo próprio Lula durante debate na TV Band. Embora tenha enviado autorização ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a defesa do petista condicionou a abertura de seus dados a uma reciprocidade por parte do candidato do PL. Flávio Bolsonaro aceitou o desafio, mas impôs 19 condições específicas para a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, exigindo que a transparência alcance também figuras como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de Gabinete da Presidência.

Deltan Dallagnol foi o protagonista da primeira denúncia formal contra o petista na Lava Jato, no caso envolvendo o triplex do Guarujá. Apesar de manobras jurídicas em instâncias superiores terem resultado na anulação de condenações e na declaração de suspeição do então juiz Sergio Moro, a expertise de Dallagnol em rastrear fluxos financeiros é vista pela direita como fundamental para trazer luz aos fatos.

Enquanto atua na análise dos dados, Dallagnol aguarda a definição de seu futuro político no TSE. O registro de sua candidatura foi alvo de questionamento pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, que considerou o ex-procurador inelegível por ter deixado o cargo no MPF em 2021 durante a tramitação de processos administrativos. O julgamento do caso, porém, foi adiado e ainda não possui nova data para ser retomado.