O senador Carlos Viana (PSD-MG) elevou o tom contra a cúpula do Legislativo ao protocolar, nesta terça-feira (1º), um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar mineiro ameaçou agir pela destituição de Davi Alcolumbre (União-AP) da presidência do Senado, caso o pedido de afastamento do magistrado seja engavetado.

A ofensiva de Viana fundamenta-se em revelações recentes envolvendo diálogos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nas mensagens obtidas em investigações, o empresário teria destacado a relevância estratégica de um contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes.

Pelas redes sociais, Viana foi enfático ao afirmar que Alcolumbre perderá a legitimidade para conduzir a Casa se optar pela inércia. De acordo com o senador, a omissão diante de indícios que pesam contra um membro da Suprema Corte configura uma blindagem inaceitável. Ele defende que, ou o presidente do Senado abre o procedimento, ou deverá ser responsabilizado por sua conduta.

Se engavetar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes para protegê-lo da investigação do Senado, pedirei o afastamento de Alcolumbre da Presidência da Casa e sua responsabilização. Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela.

A pressão sobre Moraes não se restringe a Viana. Outros parlamentares, como Damares Alves (Republicanos-DF), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto (PL-PB), também sinalizaram a intenção de formalizar novas petições. Com essas adesões, o montante de pedidos de impeachment contra o ministro no Senado pode atingir a marca de 56.

O cenário de crise ganhou novos contornos após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de trechos de um relatório da Polícia Federal. Os documentos apontam interações ocorridas em fevereiro de 2024, nas quais Vorcaro solicitava o envio de contratos assinados com o escritório Barci Moraes e questionava prazos de pagamentos. A investigação também menciona interações diretas e mensagens com temporizador de autodestruição, o que alimentou o discurso da oposição no Congresso.