O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve confirmar, na noite desta quarta-feira (16), uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, ajustando o indicador para 13,75% ao ano. Apesar do movimento de queda imediata, o mercado financeiro demonstra crescente ceticismo e divisão quanto à continuidade desse processo de flexibilização, especialmente diante da fragilidade das contas públicas e de um cenário inflacionário que permanece no radar de risco.
Analistas do BTG Pactual defendem que, após o ajuste de hoje, o Banco Central deveria interromper os cortes já na próxima reunião, em novembro. Para a instituição, as expectativas de inflação deterioradas exigem uma postura de maior rigor por parte da autoridade monetária. A avaliação é que uma pausa permitiria ao mercado absorver melhor as definições da política econômica no período pós-eleitoral, evitando passos precipitados em um ambiente de riscos assimétricos.
Uma interrupção ajudaria a estabilizar as expectativas de inflação e permitiria incorporar as definições pós-eleitorais sobre a política econômica, diante de um cenário inflacionário adverso e de um balanço de riscos assimétrico, afirmam os especialistas Tiago Berriel, Mateus Della, Iana Ferrão, Ederson Schumanski e João Aveiro no relatório do banco.
O BTG ainda alerta para o perigo da falta de credibilidade fiscal. Segundo o relatório, embora o endividamento das famílias possa frear a atividade econômica, uma desaceleração forçada e brusca pode acabar elevando o prêmio de risco e pressionando o câmbio, o que acabaria impedindo novos cortes de juros no futuro próximo.
Já a XP Investimentos, embora preveja que a Selic chegue a 13,25% ao ano até o fim de 2026, reconhece que há pressões externas consideráveis. O barril de petróleo voltando ao patamar de 100 dólares e as incertezas climáticas do El Niño são fatores que dificultam a convergência dos preços para as metas. Para Caio Megale, economista-chefe da XP, embora uma pausa fosse tecnicamente recomendável agora para garantir a prudência, a tendência é que o Copom ainda realize mais dois cortes residuais de 0,25 ponto.
No Itaú BBA, o tom é de vigilância. Os analistas apontam que a desvalorização do real e as ameaças inflacionárias para horizontes mais longos, como o ano de 2027, demandam uma postura conservadora do Banco Central. A instituição reforça que a estratégia mais adequada para preservar a saúde econômica do país seria uma pausa temporária no ciclo de quedas, visando uma reavaliação criteriosa dos fundamentos econômicos antes de qualquer novo passo.
