O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, promoveu alterações estratégicas no alto comando militar do país. De acordo com informações divulgadas pela agência estatal KCNA neste domingo (30), Kim Song-gi assumiu o posto de ministro da Defesa. Ele substitui No Kwang-chol, que passará a desempenhar funções de relevo no Departamento da Indústria de Munições, setor responsável pela produção bélica da nação.

Além da troca no ministério, o veterano Pak Jong-chon foi reconduzido à vice-presidência da Comissão Militar Central, consolidando sua influência na estratégia de defesa. A dança das cadeiras ocorre simultaneamente a um evento de reconhecimento liderado por Kim Jong-un, que homenageou cientistas do setor de Defesa pelos avanços recentes no desenvolvimento de armamentos. As mudanças ocorrem em um cenário de estreitamento de laços entre Pyongyang e Moscou, potencializado pelo contexto da guerra na Ucrânia.

Em paralelo à reestruturação interna, o governo norte-coreano subiu o tom contra Washington. O Ministério das Relações Exteriores do país condenou a aprovação, por parte do governo dos Estados Unidos, da venda de mísseis táticos e equipamentos militares à Coreia do Sul. O negócio, estimado em US$ 125 milhões, envolve o fornecimento de mísseis ar-ar AIM-9X Sidewinder.

Segundo um porta-voz da chancelaria norte-coreana, o movimento é visto como uma ameaça direta à estabilidade regional.

"Reconhecemos mais uma vez, e claramente, a expressão da atitude aberta dos EUA como sempre hostil à RPDC", afirmou o representante oficial por meio da KCNA.

A reação dura da Coreia do Norte surge no momento em que o presidente americano, Donald Trump, sinaliza um desejo de retomar o diálogo direto com Kim Jong-un. Embora Trump tenha indicado que houve uma resposta positiva às suas abordagens recentes, analistas internacionais observam que Pyongyang ainda demonstra ceticismo e pouca disposição oficial para voltar à mesa de negociações.

Outro ponto de atrito citado por Pyongyang é o plano dos Estados Unidos de financiar a documentação de dados sobre direitos humanos na Coreia do Norte. Para o regime de Kim Jong-un, essas ações são tentativas deliberadas de desestabilizar o sistema social do país. O governo norte-coreano alertou que a aceleração da integração militar entre os EUA e seus aliados na Ásia-Pacífico obrigará o país a dar uma resposta "séria, imediata e poderosa" a qualquer ato que considere hostil.