O custo para construir no Brasil continua em trajetória de subida, pressionando o setor imobiliário e o bolso do cidadão. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou um avanço de 0,25% no mês de setembro. Embora o número represente uma desaceleração em relação ao salto de 0,85% visto em agosto, o acumulado dos últimos 12 meses já atinge a marca de 6,61%.

No ano de 2024, a alta acumulada já chega a 5,86%, sinalizando que a pressão inflacionária sobre os canteiros de obras permanece viva. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o índice atual mostra-se ligeiramente superior ao acumulado de agosto (6,56%), evidenciando que, apesar da oscilação mensal, o custo estrutural da construção não dá trégua.

O levantamento detalha que o grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços teve uma alta de 0,17% em setembro. Dentro deste segmento, os materiais para instalação foram os que mais perderam fôlego, caindo de uma variação de 1,26% em agosto para 0,48% agora. Já o setor de Serviços registrou elevação de 0,15%, influenciado pela moderação nos custos de projetos, que variaram apenas 0,10%.

Um ponto de atenção para o mercado é o custo da Mão de Obra, que apresentou variação de 0,37% em setembro. Embora o índice seja significativamente menor que os 1,56% registrados no mês anterior, o aumento constante dos salários e encargos no setor segue como um componente de peso na composição do preço final dos imóveis.

Geograficamente, a inflação da construção apresentou comportamentos distintos. Cidades importantes como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre registraram recuos em suas taxas de variação. Por outro lado, capitais do Nordeste, como Recife e Salvador, foram na contramão da média nacional e apresentaram aceleração nos custos, encarecendo a atividade construtiva nessas regiões.