Os emissários do governo de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, desembarcaram em Kiev neste domingo (6) para uma rodada crucial de conversas com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. O movimento ocorre apenas 24 horas após a dupla ter se reunido com o líder russo, Vladimir Putin, no Kremlin, em uma tentativa de costurar um acordo de paz para o maior conflito em solo europeu desde 1945.
Kushner, genro de Trump, e Witkoff, sócio do presidente americano, utilizaram o sistema ferroviário para chegar à capital da Ucrânia, partindo da cidade polonesa de Rzeszów. Embora os dois já tenham visitado Moscou oito vezes desde o início das hostilidades, esta é a primeira vez que pisam em Kiev para interlocução direta com o governo local.
Em nota oficial, a Casa Branca informou que o encontro em Moscou serviu para levar adiante a agenda de paz de Trump e que planos específicos devem ser divulgados nas próximas semanas. O governo americano descreveu a expectativa de que a reunião com Zelenski seja tão produtiva quanto a realizada na Rússia. Pelo lado russo, o assessor diplomático Yuri Ushakov relatou que o diálogo foi franco e que os americanos apresentaram propostas para um possível cessar-fogo, embora tenha reforçado que a Rússia mantém a confiança em suas metas militares no leste ucraniano.
Para viabilizar a missão diplomática, as duas nações em guerra firmaram um compromisso temporário de não atacar as capitais durante o período de três dias. Antes da chegada dos americanos, Zelenski manifestou nas redes sociais que a Ucrânia mantém uma postura construtiva e está "pronta para o diálogo".
Vladimir Putin, em declarações transmitidas pela TV antes da partida dos enviados, garantiu que a Rússia asseguraria a integridade física dos mediadores em Kiev. Ele também agradeceu o empenho de Trump em resolver o impasse, reconhecendo que a missão é complexa. Apesar do otimismo oficial, a população de Kiev demonstra ceticismo após anos de tentativas diplomáticas frustradas, enquanto o governo Trump tenta desatar o nó geopolítico que envolve também tensões crescentes com o Irã.

