A Indonésia enfrenta uma crise logística e de saúde pública após a erupção do vulcão Anak Krakatau, conhecido como "filhote do Krakatoa". A atividade vulcânica forçou o fechamento temporário de seis aeroportos, incluindo o Internacional Soekarno-Hatta, em Jacarta, deixando mais de 150 mil passageiros retidos.
Segundo o ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, pelo menos 467 voos foram impactados até o momento. A interrupção atingiu rotas internacionais estratégicas para destinos como Singapura, Doha, Sydney e Kuala Lumpur. A decisão de suspender as operações ocorreu após testes confirmarem a dispersão de cinzas vulcânicas em direção a Java Ocidental.
O vulcão iniciou sua fase mais ativa na noite de sexta-feira, com episódios subsequentes no domingo. De acordo com a agência meteorológica BMKG, a coluna de cinzas atingiu altitudes impressionantes, variando entre 6 mil metros a leste e 15 mil metros a oeste do vulcão. Apesar da intensidade, as autoridades descartaram o risco de tsunami no Estreito de Sunda.
No âmbito da saúde, o governo recomendou que a população permaneça em ambientes fechados e utilize máscaras faciais. Moradores e pescadores da região relataram irritações severas nos olhos e na pele devido ao contato com a poeira vulcânica. Relatos locais indicam que a densidade das cinzas é tamanha que é necessário limpar as residências a cada poucos minutos.
O Anak Krakatau surgiu no início do século 20 na caldeira deixada pelo Monte Krakatoa, cuja erupção histórica em 1883 dizimou mais de 36 mil pessoas. Mais recentemente, em 2018, um colapso parcial deste "filhote" gerou um tsunami que vitimou centenas de pessoas. O vulcão integra o Anel de Fogo do Pacífico, zona de intensa atividade sísmica que abriga a grande maioria dos vulcões ativos do planeta.

