O escritório de advocacia Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um segundo contrato milionário com o grupo empresarial do banqueiro Daniel Vorcaro. O novo acerto, firmado com a Viking Participações em maio de 2025, estipulava honorários de até R$ 50 milhões por um período de três anos de consultoria e representação jurídica.

Diferente de transações convencionais, o acordo previa que a maior parte da dívida, cerca de R$ 40 milhões, fosse quitada por meio da transferência de participações societárias em empresas proprietárias de aeronaves. Conforme os documentos, o escritório receberia 33,33% de uma firma dona de um jato Legacy 650 e 20% de outra companhia que estava adquirindo um helicóptero Airbus EC 155 B1.

O ajuste permitia que os advogados utilizassem as aeronaves imediatamente após a assinatura, seguindo normas de compartilhamento com os demais sócios. Os R$ 10 milhões remanescentes do contrato serviriam para cobrir custos operacionais, impostos e despesas de aquisição dos veículos aéreos.

Este é o segundo grande vínculo financeiro revelado entre o grupo de Vorcaro e a banca de Viviane Barci de Moraes. Em janeiro de 2024, o Banco Master já havia assinado um contrato de R$ 108 milhões, dividido em parcelas mensais de R$ 3 milhões. Somados, os dois compromissos totalizam R$ 158 milhões em honorários advocatícios.

As informações vieram a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo dos autos que tramitam no STF. O material inclui relatórios da Polícia Federal que destacam a urgência dada pelo banqueiro aos repasses para o escritório. Em diálogos interceptados, Vorcaro enfatizava que o pagamento à esposa do ministro era prioritário e não admitia atrasos.

A defesa do escritório e os representantes de Vorcaro ainda não detalharam os objetos específicos das consultorias que justificariam as cifras e a forma de pagamento por meio de bens de luxo. A quebra de sigilo joga luz sobre as relações comerciais de familiares de magistrados da alta corte com grandes conglomerados financeiros do país.