Os cinco principais bancos do Brasil detêm atualmente um estoque impressionante de 27 mil imóveis retomados em função de dívidas não quitadas. Segundo levantamento recente do Mapa Resale, o valor acumulado desses ativos chega à casa dos R$ 10 bilhões, evidenciando o rigor das garantias contratuais no mercado de crédito imobiliário nacional.
A análise engloba a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú. O banco público federal, a Caixa, lidera com folga o ranking de retomadas, sendo responsável por 24.572 unidades do total identificado. O Santander aparece na sequência com 1.365 imóveis, seguido pelo Banco do Brasil (633) e Bradesco (434). O Itaú, embora figure entre as instituições monitoradas, não fornece o detalhamento quantitativo de seu estoque.
Apesar do número absoluto ser chamativo, especialistas e entidades do setor, como a Abecip, destacam a solidez do sistema. O montante de R$ 10 bilhões representa apenas 0,7% do volume total de financiamentos imobiliários no país, que hoje alcança a marca de R$ 1,455 trilhão. Isso indica que, embora a inadimplência exista e gere retomadas, o índice de pagamento dos brasileiros e a saúde das garantias bancárias permanecem em níveis controlados.
O cenário reforça a importância da segurança jurídica e do cumprimento de contratos. Para as instituições financeiras, o foco agora é a liquidez. A estratégia consiste em transformar esses ativos físicos novamente em capital, o que reduz custos operacionais de manutenção e impostos, além de movimentar o mercado secundário de leilões e vendas diretas. O acompanhamento passará a ser trimestral, permitindo observar a agilidade do mercado em absorver essas unidades e a eficiência dos bancos na recuperação desses recursos.
