Um grupo de religiosos alinhados a pautas progressistas intensificou a pressão sobre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Por meio de uma carta aberta, os autodenominados "evangélicos de esquerda" solicitam que o magistrado levante o sigilo do processo envolvendo o caso Master, buscando maior transparência sobre as investigações em curso na Corte.
O documento é carregado de simbolismo religioso, contendo sete referências bíblicas diretas para fundamentar o apelo ético e moral feito ao ministro. Em um tom de cobrança, a missiva resgata a expressão "terrivelmente evangélico", termo que marcou a indicação de Mendonça ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizando a identidade cristã do magistrado como argumento para que ele tome uma decisão favorável à publicidade dos dados.
A movimentação ocorre em um momento de alta sensibilidade no Judiciário, onde a gestão de sigilos e a transparência de inquéritos têm sido alvo de constantes debates públicos. O grupo argumenta que o acesso às informações é um direito da sociedade e que a postura de Mendonça deve refletir os valores de justiça e verdade que ele professa.
A iniciativa reflete a divisão interna no segmento evangélico brasileiro, com alas à esquerda utilizando a retórica bíblica para confrontar magistrados e políticos conservadores em temas de governança e transparência jurídica. Até o momento, o gabinete do ministro André Mendonça não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da carta ou sobre a possibilidade de retirar o sigilo dos autos citados.
