Um depoimento prestado à Polícia Federal revela novos detalhes sobre os bastidores da prisão de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, o empresário teria mapeado seis rotas distintas para fugir do Brasil caso fosse alvo de uma ação policial.
O relato foi formalizado aos investigadores em julho de 2026. Paulo Sérgio afirmou que a informação sobre o plano de fuga circulava entre a cúpula do Banco Central antes mesmo da detenção de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025. O ex-servidor relatou ter ouvido o detalhe de Ailton de Aquino, então diretor de Fiscalização da autoridade monetária.
De acordo com as investigações, a PF conseguiu identificar ao menos três voos que poderiam ser utilizados pelo empresário em sua tentativa de deixar o país. No dia em que foi preso, Vorcaro manteve contato com figuras estratégicas da regulação bancária, incluindo o próprio Paulo Sérgio e Belline Santana, outro ex-chefe do departamento de supervisão.
A dinâmica dos fatos aponta que, no dia da operação, Vorcaro participou de uma reunião com Ailton de Aquino para discutir a venda do Banco Master ao Grupo Fictor. A prisão e o anúncio da liquidação da instituição financeira ocorreram na mesma data, evidenciando o cerco que se fechava contra o controlador.
Daniel Vorcaro acabou sendo interceptado por agentes federais na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. O empresário já estava preparado para embarcar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
As declarações agora anexadas ao inquérito reforçam as suspeitas sobre a rede de influência de Vorcaro dentro de órgãos reguladores e as articulações políticas que envolviam o Banco Master. O caso segue sob análise da Justiça, com foco na conduta de servidores e na gestão da instituição financeira liquida.
