O cenário econômico desta sexta-feira, 11, é marcado por uma expectativa tensa nos mercados globais e doméstico. O foco central dos investidores está na divulgação de indicadores cruciais de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que servirão de termômetro para as próximas decisões de política monetária. Enquanto o Ibovespa tenta sustentar o patamar dos 188 mil pontos, o mercado observa com cautela a pressão vinda da disparada do petróleo e da alta dos juros dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).
No front doméstico, o IBGE revela, às 9h, o IPCA referente a agosto. Após uma alta de 0,07% em julho, a expectativa do mercado é de uma deflação de 0,29% no mês, o que poderia levar o acumulado de 12 meses para 4,27%. Embora a queda pontual traga alívio, a responsabilidade fiscal e o controle rigoroso dos gastos públicos permanecem como as principais demandas dos agentes econômicos para garantir a estabilidade a longo prazo. No mesmo horário, também será divulgado o INPC, que mede a inflação para famílias de menor renda.
Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho publica o CPI de agosto às 9h30. A projeção é de uma aceleração mensal de 0,4%, mantendo a inflação anual em 3,4%. O dado mais aguardado é o núcleo da inflação (excluindo energia e alimentos), visto como essencial para definir os passos do Federal Reserve na reunião da próxima semana. A persistência inflacionária em solo americano, somada ao déficit orçamentário projetado em US$ 221,1 bilhões para agosto, reforça as preocupações sobre a saúde fiscal da maior economia do mundo sob a atual gestão.
A política brasileira também exerce forte influência nos ativos. A divulgação de uma nova rodada de pesquisas Datafolha e os desdobramentos dos levantamentos recentes, como a AtlasIntel que apontou empate técnico entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual mandatário em cenários futuros, agitam o chamado 'trade eleitoral'. O mercado reage com sensibilidade à possibilidade de mudanças na condução econômica a partir de 2027, privilegiando sinais de manutenção da liberdade econômica e austeridade.
O resultado reforçou o chamado trade eleitoral, com investidores avaliando os possíveis impactos de uma disputa mais acirrada sobre a política econômica e fiscal a partir de 2027.
Na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa após a instituição elevar as taxas de juros para conter a alta de preços na Zona do Euro. A decisão, que passa a vigorar em 16 de setembro, elevou a taxa de depósito para 2,50%. Globalmente, a confiança do consumidor, medida pela Universidade de Michigan, também será monitorada, com previsão de queda para 50,5 pontos, refletindo o pessimismo com o custo de vida elevado e a incerteza geopolítica.
