A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, já acendeu o alerta sobre o uso de recursos públicos. Documentos oficiais revelam que o governo federal reservou R$ 3,2 milhões apenas para custear a hospedagem da delegação brasileira. O montante, que ainda é parcial, já supera os gastos registrados para a mesma finalidade no evento do ano anterior.
Os repasses foram efetuados para dois hotéis de luxo na metrópole americana: o Hyatt Grand Central New York e o Park Lane Hotel. De acordo com os registros de execução de despesas, o Hyatt recebeu R$ 2,2 milhões em dois pagamentos distintos. Já o Park Lane Hotel foi destino de R$ 1,01 milhão. O Itamaraty confirmou que o valor total de R$ 3.232.523,55 ainda não é definitivo, pois a prestação de contas da missão permanece em aberto.
Curiosamente, o presidente Lula não está incluído nessa fatura milionária de hotelaria, pois ficou alojado na residência oficial do representante do Brasil junto à ONU. Isso significa que os R$ 3,2 milhões serviram exclusivamente para acomodar a equipe e os acompanhantes que compõem a comitiva. Em 2025, os gastos consolidados com hospedagem da delegação somaram R$ 2,92 milhões, o que aponta um crescimento nominal de 10,7% na fatura deste ano, mesmo antes do fechamento total das contas.
O presidente da República se instalou, como é de conhecimento público, na Residência do Representante Permanente do Brasil junto à ONU, sem custos de hospedagem ao erário — declarou o Ministério das Relações Exteriores.
Apesar da vultosa quantia, os registros públicos atuais pecam pela falta de transparência detalhada. Não há informações sobre o número exato de quartos reservados, a quantidade de diárias ou a lista nominal de quem ocupou as vagas custeadas pelo contribuinte.
Outro ponto que levanta questionamentos é a presença constante de Ricardo Stuckert em agendas oficiais em Nova York. O fotógrafo, que deixou o cargo de secretário na Secom em julho para atuar na campanha de reeleição de Lula, foi visto registrando encontros do presidente, como a audiência com o prefeito local e o discurso na ONU.
Embora o Palácio do Planalto afirme que Stuckert não integrou a comitiva oficial nem utilizou aviões ou verbas públicas para a viagem, o governo não explicou em que condição um profissional de campanha partidária atua dentro de agendas institucionais do Estado brasileiro. Na viagem anterior ao Amapá, em situação similar, a alegação foi de que ele atuava como 'convidado', sem ônus para os cofres públicos. No caso de Nova York, a Secom limitou-se a sugerir que questionamentos fossem direcionados à campanha.
