A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado, na noite de quarta-feira (14/10), foi celebrada pela imprensa internacional como uma vitória política de Luiz Inácio Lula da Silva (PT a menos de duas semanas do segundo turno. Para críticos da medida, porém, o momento reforça a impressão de que uma mudança de grande impacto econômico foi transformada em trunfo eleitoral.

A proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, em dois turnos, e poderá ser promulgada pelo Congresso por manter o texto aprovado pela Câmara em maio. A votação expressiva, contudo, não elimina as dúvidas sobre os efeitos da mudança para empresas, trabalhadores e geração de empregos — questões que mereceriam debate cuidadoso, não uma aprovação acelerada às vésperas das urnas.

A Reuters resumiu o episódio como “Senado do Brasil aprova jornada de trabalho mais curta em vitória para Lula”. Embora a agência tenha descrito a proposta como a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas, a proximidade da eleição também alimenta a crítica de que o governo busca capitalizar politicamente uma pauta popular, enquanto os custos e as consequências práticas ficam para depois.

A campanha pelo fim da escala 6x1 ganhou força após um vídeo do então balconista de farmácia Rick Azevedo viralizar no fim de 2023. A mobilização pode ter dado visibilidade ao tema; ainda assim, uma decisão com efeitos duradouros sobre o mercado de trabalho exige mais do que apelo eleitoral: precisa de discussão transparente sobre custos, produtividade e impactos no emprego.