O senador Flávio Bolsonaro (PL) demonstrou maior capacidade de diálogo com o eleitorado de centro durante o debate presidencial da TV Globo, realizado na última sexta-feira (23). De acordo com monitoramento da Sala de Debate da Quaest, o parlamentar superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eleitores classificados como independentes, obtendo nota 6 contra 5,2 do petista.

O levantamento, que analisou o desempenho dos candidatos em cada intervenção, dividiu o público em cinco grupos: lulistas, esquerdistas, independentes, direitistas e bolsonaristas. Como esperado, Lula manteve a liderança nos nichos ideológicos de esquerda, registrando 8,7 entre lulistas e 6,5 entre esquerdistas. Flávio, por sua vez, consolidou sua base com 9 pontos entre bolsonaristas e 7,4 entre eleitores de direita.

A performance de Flávio Bolsonaro atingiu seu ápice quando o tema foi a gestão da saúde pública. Ao ser questionado por Lula sobre o setor, o senador defendeu um corte drástico — o chamado 'tesouraço' — na corrupção, na burocracia estatal e na carga tributária. Ele criticou severamente as falhas do SUS, apontando a escassez de remédios e a demora nas filas de especialistas. A resposta rendeu ao senador a nota geral de 8,1, saltando para 9 entre os bolsonaristas e 6,7 no grupo de independentes.

Outro ponto alto para o candidato do PL ocorreu na discussão sobre economia. Flávio ligou a perda do poder de compra das famílias brasileiras ao excesso de gastos do atual governo e à pressão sobre os juros. A abordagem foi bem recebida pelos direitistas (6,5) e pelos bolsonaristas (8,6).

A análise temática da Quaest indicou que Flávio Bolsonaro teve o domínio das discussões em eixos centrais como segurança pública, infraestrutura, mobilidade urbana e assistência social. O instituto também apontou que o senador liderou o debate sobre política e alianças. Lula, por outro lado, concentrou suas melhores avaliações em temas como emprego, saúde e agronegócio, embora as áreas de corrupção, economia e educação tenham permanecido em campo de disputa acirrada entre os dois.

O melhor momento individual de Lula ocorreu quando ele explorou a perda de seu dedo mindinho para reforçar um discurso de identificação com o trabalhador, após uma provocação do adversário. A fala recebeu nota 7,8 na média geral. Flávio, contudo, retomou o controle do bloco ao se desculpar pela expressão e redirecionar o foco para o crescimento da população de rua e as falhas na execução do Bolsa Família, mantendo a média alta entre seus apoiadores.

A Quaest ressalta que o levantamento 'Sala de Debate' não possui caráter de pesquisa eleitoral e não visa projetar intenções de voto ou resultados nas urnas. O estudo reflete apenas a percepção imediata dos diferentes segmentos do eleitorado sobre a performance técnica e retórica dos candidatos durante a transmissão televisiva.