O cenário político na véspera da votação decisiva de 2026 aponta para uma virada histórica em relação ao pleito anterior. Enquanto em 2022 o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderava todos os levantamentos antes da eleição, os dados deste sábado, 24 de outubro, mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) na dianteira numérica em nove pesquisas distintas. O movimento sinaliza uma recuperação da direita e coloca o governo em alerta máximo.

Embora o cenário seja de empate técnico, a tendência favorece o candidato conservador. Os levantamentos indicam variações entre 0,2 e 4 pontos percentuais de vantagem para Flávio Bolsonaro nos votos válidos. Esse panorama contrasta drasticamente com a véspera do segundo turno de quatro anos atrás, quando as pesquisas apontavam Lula à frente com margens que chegavam a oito pontos. Na ocasião, o petista venceu com uma margem apertada de apenas 1,8 ponto, expondo que os institutos, em sua maioria, subestimaram a força do campo conservador.

Em 2022, o Ipec chegou a projetar uma vitória folgada de Lula por 54% a 46%, distância que se provou irreal quando as urnas foram abertas. O Datafolha e a Quaest também previam uma dianteira maior (52% a 48%) do que a registrada no resultado oficial (50,90% a 49,10%). Apenas a Paraná Pesquisas e a CNT/MDA apresentaram números mais próximos da realidade na reta final daquele ano.

Agora, em 2026, a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro é confirmada por diversos institutos. O Gerp registra a maior distância, com 52% para o senador contra 48% para Lula. O Veritá aponta Flávio com 51,56% e o petista com 48,44%. Já nos levantamentos da Quaest e Datafolha, o candidato do PL aparece com 51% contra 49% do atual mandatário. A menor diferença é registrada pela Futura, onde a distância é de apenas 0,2 ponto (50,1% a 49,9%).

Especialistas apontam que, embora o empate técnico persista, a liderança numérica de Flávio Bolsonaro reflete um momento de fadiga do modelo atual e o fortalecimento do legado de Jair Bolsonaro personificado em seu filho. Em 2022, as pesquisas serviram como um termômetro que indicava a volta da esquerda, mas as de hoje sugerem que a hegemonia petista enfrenta um desafio de sobrevivência nas urnas.

A apuração deste domingo, 25 de outubro, definirá se a tendência das pesquisas se converterá em vitória nas urnas. O foco da Justiça Eleitoral estará na contagem dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, sistema que em 2022 deu a vitória a Lula por uma margem mínima e que agora poderá coroar o retorno do projeto conservador ao Palácio do Planalto.