O cenário macroeconômico brasileiro para 2026 segue apresentando sinais de instabilidade, conforme revelam os dados mais recentes do Boletim Focus, divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (21). A nova leitura do mercado financeiro aponta para um recrudescimento da inflação, ao mesmo tempo em que as perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sofrem mais um revés.

A mediana das instituições financeiras consultadas elevou a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,90% para 4,92%. O movimento reforça a preocupação com a persistência inflacionária, mesmo que o patamar atual seja ligeiramente inferior aos 5,02% projetados há um mês. No curto prazo, a pressão também se faz presente: a estimativa para o IPCA de setembro subiu de 0,50% para 0,52%, enquanto a de novembro avançou de 0,32% para 0,34%.
Em um reflexo da baixa confiança na pujança da economia, a previsão de crescimento do PIB para 2026 foi revisada para baixo, passando de 1,89% para 1,88%. Há apenas quatro semanas, o mercado trabalhava com uma expansão mais robusta, de 1,95%. O pessimismo também atingiu o ano de 2027, cuja projeção de crescimento caiu de 1,45% para 1,43%.
No âmbito da política monetária, houve um ajuste na expectativa para a taxa básica de juros, a Selic. A previsão para o fechamento de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano. A manutenção dos juros em patamares elevados tem sido um instrumento necessário para conter a escalada de preços em meio às incertezas fiscais. Já o câmbio permanece estável na visão dos analistas, com o dólar cotado a R$ 5,20 para o final de 2026 e R$ 5,28 para 2027.
O relatório também destacou a alta no IGP-M de 2026, que saltou de 4,54% para 4,73%. No setor externo, a balança comercial trouxe um leve alento, com a projeção de superávit para este ano subindo de US$ 76,95 bilhões para US$ 77 bilhões, sinalizando a resiliência do setor produtivo exportador frente ao cenário doméstico desafiador.
