A expressão de descontração do ministro Alexandre de Moraes chamou a atenção ao encerramento de uma das sessões mais conturbadas da história recente do Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite desta terça-feira (15), o fotógrafo Wilton Junior, do jornal O Estado de S. Paulo, capturou o magistrado sorrindo após quase oito horas de um julgamento marcado por hostilidades abertas, dedos apontados e acusações de mentira entre os membros da Corte.
O contraste entre a feição alegre de Moraes e a gravidade dos fatos narrados no plenário gerou repercussão imediata. Pouco antes do registro, o tribunal havia sido palco de um embate direto entre Moraes e o ministro André Mendonça. O clima azedou quando Moraes sugeriu que Mendonça teria utilizado a Polícia Federal de forma indevida para tentar vinculá-lo a uma colaboração premiada. A reação de Mendonça foi incisiva, classificando a fala do colega como uma inverdade deliberada.
A temperatura subiu ainda mais com a intervenção do ministro Gilmar Mendes, que atacou Mendonça chamando sua postura de "leviana". O magistrado indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro não recuou diante da pressão dos decanos: "Vossa Excelência está sendo leviano, ministro Gilmar. Não aponte o dedo para mim. Não está falando com qualquer um. Respeite este Tribunal", disparou Mendonça, em um dos momentos mais tensos do embate.
Até mesmo ministros que costumam votar em alinhamento com a atual condução da Corte expressaram desconforto. Flávio Dino não poupou críticas ao presidente do STF, Edson Fachin, rotulando a gestão da sessão como "desastrosa". Segundo Dino, a exposição pública do tribunal a poucos dias do pleito eleitoral, sem que houvesse um desfecho claro, prejudica a imagem da instituição perante o país.
Apesar da exaustão e dos ataques mútuos, a sessão extraordinária terminou de forma inconclusiva para Alexandre de Moraes. Por 4 votos a 3, a Corte decidiu separar os casos que envolvem Moraes e Mendonça. Contudo, o mérito sobre a abertura de investigação contra o ministro foi travado por um pedido de vista de Flávio Dino, que poderá reter o processo por até 90 dias. Enquanto a análise sobre a conduta de Mendonça segue marcada para a próxima quarta-feira (23), o futuro de Moraes no caso permanece em suspenso. No dia seguinte ao embate e ao flagrante do sorriso, Moraes não compareceu à sessão plenária.
