A Anthropic, startup de inteligência artificial fundada por dissidentes da OpenAI, caminha para um dos eventos de liquidez mais aguardados do mercado de capitais. Documentos protocolados na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) nesta segunda-feira revelam que os sete fundadores da companhia possuem, cada um, uma fortuna estimada em US$ 14 bilhões. O valor pode saltar para a casa dos US$ 29 bilhões caso a abertura de capital (IPO) confirme a avaliação de mercado projetada por Wall Street.
Os fundadores, que deixaram a OpenAI em 2021 para criar a dona do chatbot Claude, controlam aproximadamente 10% da empresa. De acordo com o formulário S-1, cada integrante do grupo original detém cerca de 240 milhões de ações. Com base na última rodada de captação privada, onde os papéis foram precificados em US$ 58,90, a fatia individual de cada sócio oscila entre US$ 13,7 bilhões e US$ 14,4 bilhões.
Apesar do otimismo do mercado financeiro, que ventila um valor de mercado de até US$ 2 trilhões para a Anthropic na estreia na bolsa, os documentos trazem alertas importantes. A empresa reportou um prejuízo robusto de US$ 80,7 bilhões apenas no primeiro semestre, evidenciando o alto custo de desenvolvimento dessas tecnologias. Além disso, o prospecto menciona formalmente 'riscos existenciais' inerentes ao avanço desenfreado da inteligência artificial.
Uma particularidade na governança da Anthropic chama a atenção: o controle absoluto dos fundadores. Por meio de uma estrutura de ações de Classe F, o grupo detém 50,1% dos direitos de voto, mesmo que sua participação econômica seja minoritária. Essa configuração permite que eles mantenham o comando estratégico da companhia mesmo que decidam se desfazer de quase a totalidade de seus papéis econômicos.
Os fundadores manifestaram a intenção voluntária de doar 80% de suas participações para causas filantrópicas. Contudo, o documento sublinha que esse compromisso não possui força jurídica obrigatória e pode ser revogado. O mercado observa com cautela essa estrutura, pois o distanciamento entre o poder de voto e o interesse econômico real pode gerar conflitos de interesse com os acionistas minoritários no futuro.
Além dos fundadores, gigantes como Amazon e Google aparecem como investidores estratégicos de peso, possuindo participações que podem chegar a 12% e 14,99%, respectivamente. Diferente dos sócios originais, as Big Techs deterão ações sem direito a voto. Enquanto o IPO não ocorre, a remuneração direta dos executivos permanece em patamares contidos para o padrão do setor: Dario Amodei, o CEO, recebeu cerca de US$ 17,9 milhões em 2025, sendo a maior parte composta por premiações em ações e um salário base de US$ 654 mil.
