O Palácio do Planalto prepara uma ofensiva diplomática com o setor esportivo para tentar mitigar o impacto de sua decisão drástica de banir as casas de apostas do Brasil. Na próxima semana, representantes do governo Lula devem se reunir com dirigentes de clubes de futebol para traçar um diagnóstico da crise financeira gerada pela Medida Provisória (MP) que extinguiu o setor de bets. A movimentação ocorre em um momento de alta tensão, com o governo tentando conter a insatisfação popular e dos clubes às vésperas do primeiro turno das eleições municipais.

A decisão de proibir integralmente as apostas online é vista como um movimento estratégico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar recuperar terreno frente ao avanço da oposição, representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), em um cenário eleitoral cada vez mais polarizado. No entanto, o custo colateral recai sobre o futebol nacional, que hoje depende fortemente do capital dessas empresas para manter suas operações e folgas salariais.
Clubes de grande porte já manifestaram extrema preocupação com a segurança jurídica e financeira de seus contratos. O Flamengo, detentor de um acordo de R$ 268,5 milhões por temporada com a Betano, admitiu não possuir um plano alternativo para suprir a lacuna orçamentária deixada pela saída imediata do patrocinador. O Fluminense também foi notificado pela Superbet sobre o possível rompimento do vínculo de R$ 58 milhões anuais, defendendo que o Executivo deveria, ao menos, ter garantido um período de transição razoável antes da proibição total.
O argumento oficial da gestão petista para o banimento é o combate ao superendividamento das famílias brasileiras, mirando modalidades como o 'jogo do tigrinho', cassinos virtuais e as apostas esportivas. Com a publicação da MP, novos depósitos já estão bloqueados. Os sites permanecem ativos exclusivamente para que os cidadãos retirem seus saldos remanescentes, com prazo final estipulado para as 23h59 do dia 5 de outubro.
Além da medida de validade imediata, o governo pretende endurecer o cerco legislativo, enviando ao Congresso um projeto de lei que criminaliza a exploração de jogos e a publicidade do setor, prevendo penas de até seis anos de reclusão. O 'apagão' digital das plataformas está agendado para o dia 6 de outubro, quando a Anatel e o CGI devem bloquear sites e aplicativos, extinguindo a oferta legal de jogos online em território nacional. Enquanto o governo tenta imprimir uma agenda de proteção social, o mercado e o esporte questionam a truculência da medida e a falta de diálogo prévio.
