A alta cúpula da TV Globo desligou, no início da noite desta quinta-feira (3), o diretor financeiro (CFO) Manuel Belmar. O executivo, que possuía uma trajetória de mais de duas décadas no grupo, foi apontado como o principal responsável por uma decisão estratégica que hoje é vista internamente como um erro histórico: a renúncia à exclusividade de transmissão da Copa do Mundo de 2026 nas plataformas digitais.
Essa abertura permitiu que concorrentes, com destaque para a CazéTV e o SBT, ocupassem um espaço que antes pertencia integralmente à emissora carioca. Nos bastidores da sede da empresa, o clima é de forte desaprovação em relação à postura de Belmar, que não teria admitido o equívoco na negociação dos direitos do Mundial. Relatos de corredores indicam que parte da equipe considerava a saída do executivo tardia, dada a gravidade do impacto competitivo gerado pela sua gestão.
Belmar iniciou sua jornada na organização em 2003, acumulando passagens estratégicas pela Infoglobo e pela Globosat. Recentemente, ele concentrava grandes responsabilidades, respondendo pelas áreas de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura, além de encabeçar a agenda ESG da companhia. O reconhecimento externo veio em 2024, quando foi eleito o executivo do ano pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), recebendo o prêmio O Equilibrista.
Contudo, o prestígio interno foi corroído pelo crescimento exponencial do streaming esportivo no Brasil. A análise da diretoria é que a estratégia de Belmar serviu de combustível para o fortalecimento de fenômenos digitais que agora ameaçam a audiência e o faturamento publicitário da Globo em eventos de grande porte. A perda da hegemonia absoluta sobre o maior evento de futebol do planeta foi o fator determinante para a sua saída definitiva do cargo.

