O Palácio do Planalto optou por uma manobra estratégica para blindar seus aliados nas urnas: o anúncio das alíquotas do novo Imposto Seletivo — apelidado de 'imposto do pecado' — foi postergado para depois do segundo turno das eleições municipais. A decisão, confirmada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Casa Civil, visa evitar que o aumento da carga tributária sobre produtos específicos se torne munição para a oposição durante o pleito.
Embora o governo tente evitar o desgaste político imediato, a conta do adiamento já é conhecida. Ao segurar a Medida Provisória (MP) por mais um mês, a União abrirá mão de uma arrecadação estimada em R$ 3,5 bilhões. A escolha reforça a prioridade do Executivo em manter o capital político em detrimento do ajuste fiscal rigoroso, postergando a aplicação prática da Reforma Tributária em setores sensíveis.
O Imposto Seletivo incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, mas o detalhamento das porcentagens exatas é aguardado com apreensão pelo setor produtivo. Com o novo calendário, o mercado e o contribuinte só conhecerão o tamanho real da mordida tributária após a definição dos novos prefeitos e vereadores, mantendo a incerteza econômica sob o pretexto da conveniência eleitoral.
O encontro que selou o adiamento contou com a presença de Miriam Belchior (secretária-executiva da Casa Civil), Bruno Moretti (secretário-executivo do Planejamento) e Dario Durigan (secretário-executivo da Fazenda). O grupo avaliou que a publicação da MP em pleno período eleitoral poderia gerar ruído desnecessário e alimentar críticas sobre a sanha arrecadatória da atual gestão, impactando o desempenho de candidatos governistas em grandes centros urbanos.
