O governo federal declarou, nesta quinta-feira (3), o fim da fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O anúncio, feito pela gestão Luiz Inácio Lula da Silva, baseia-se em uma nova metodologia de cálculo que considera o estoque de pedidos equacionado quando a capacidade de atendimento do órgão supera o volume de novos requerimentos mensais.
Apesar da celebração oficial, os números mostram que o sistema ainda não está totalmente limpo. Atualmente, 235 mil solicitações permanecem aguardando uma resposta há mais de 45 dias — este era, até então, o parâmetro padrão para definir o atraso na autarquia. O governo, contudo, mudou a ótica da análise: agora, o foco está na comparação entre o que entra e o que é processado.
Em agosto, o INSS registrou a entrada de 1,394 milhão de novos pedidos, enquanto o estoque total de processos em análise fechou o mês em 1,252 milhão. Como o volume acumulado é menor que a demanda de um único mês, a presidência do instituto, ocupada por Ana Cristina Silveira, afirma que a capacidade operacional atual é suficiente para absorver a demanda corrente, justificando a tese de que a fila de atendimento inicial deixou de existir.
Dos 1,252 milhão de processos pendentes, o cenário é dividido da seguinte forma: 640 mil são requerimentos recentes (dentro do prazo), 378 mil aguardam o cumprimento de exigências pelos próprios segurados (como envio de documentos faltantes) e 235 mil são os casos que efetivamente superam os 45 dias de espera.
A redução dos números globais é nítida quando comparada ao início de 2024. Em janeiro, o estoque acumulado chegava a 3,073 milhões de pedidos, o que representa uma queda de 59% até agosto. O subgrupo de processos com mais de 45 dias de atraso teve um recuo ainda mais drástico, saindo de 1,882 milhão para os atuais 261 mil (referente ao dado consolidado de agosto), uma diminuição de 86%.
A média de tempo de espera também apresentou melhora, caindo para cerca de 34 dias. Esse avanço é atribuído ao aumento no ritmo de concessões e ao uso de ferramentas de automação. Entre janeiro e julho, a média mensal de benefícios concedidos foi de 730 mil, superando os 641 mil do mesmo período de 2023 e os 438 mil registrados em 2022.
Entretanto, o uso de inteligência artificial e processamento automático da Dataprev ainda é monitorado com cautela. Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) indicaram que a automação nem sempre atinge os resultados esperados, especialmente em casos onde o segurado precisa retificar informações que impactam o valor final do benefício.
O anúncio carrega um forte componente político, ocorrendo às vésperas do período eleitoral de 2026. A demora nas concessões era vista pelo Palácio do Planalto como um ponto vulnerável que poderia ser explorado pela oposição. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, reforçou que a prioridade dada pelo presidente Lula era restaurar a credibilidade do órgão.
O desafio do INSS agora é de manutenção. Com uma entrada constante de mais de 1 milhão de novos pedidos por mês, a autarquia precisa garantir que o processamento continue superando a demanda para evitar que o estoque volte a subir. Para a cúpula do instituto, resíduos de pedidos complexos sempre existirão, mas a meta é manter o fluxo ágil o suficiente para que o conceito de 'fila' não retorne ao debate público.

