O avanço da inteligência artificial (IA) generativa está se provando um aliado estratégico para o setor produtivo, especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs) que buscam eficiência em mercados competitivos. Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 39,1% das PMEs usuárias da tecnologia conseguiram suprir carências técnicas de suas equipes através da ferramenta.
O estudo, que baseou-se em dados de 2024 coletados em sete países, destaca que a tecnologia atua como um reforço operacional em ambientes onde o capital humano é enxuto. Ao contrário do que previam discursos alarmistas sobre o fim do trabalho, a IA tem sido aplicada para otimizar processos internos, permitindo que empresas menores realizem tarefas que antes exigiriam a contratação de especialistas externos ou profissionais com formações específicas raras.
A redução da carga de trabalho foi sentida por 32,7% das empresas consultadas. O ganho de agilidade ocorre, sobretudo, na automação de rotinas burocráticas, organização de fluxos de informação e na redação preliminar de documentos. Outro ponto relevante para a gestão financeira das PMEs foi a queda na dependência de terceirizados: 14,3% dos negócios relataram que passaram a internalizar serviços antes delegados a fornecedores, economizando recursos e centralizando o controle da operação.
Apesar da inovação, a pesquisa reforça o valor da mão de obra qualificada. Cerca de 83% das empresas mantiveram seu quadro de funcionários inalterado após a adoção da IA, sinalizando que a tecnologia serve para potencializar o trabalhador, e não necessariamente para substituí-lo. Inclusive, 19,7% das PMEs afirmaram que a necessidade por profissionais com competências avançadas cresceu, evidenciando que a inteligência humana continua sendo o filtro final de qualidade e estratégia.
Entre as competências que ganharam destaque no novo cenário corporativo estão a análise crítica de dados, citada por 46,4% das empresas, e a capacidade de inovação e criatividade, mencionada por 41,9%. O desafio atual para os gestores é superar barreiras como a falta de familiaridade técnica dos colaboradores e as incertezas regulatórias que ainda cercam o uso de dados. Para o mercado brasileiro, o exemplo internacional sugere que a modernização passa pela combinação equilibrada entre liberdade tecnológica, investimento em capacitação técnica e o rigoroso critério humano na tomada de decisão.
