A fragilidade das contas públicas brasileiras sob a gestão petista tornou-se alvo de duras críticas por parte da imprensa financeira internacional. Veículos renomados como The Wall Street Journal, Financial Times e CNBC publicaram análises contundentes nesta semana, expondo o que classificam como um "rombo herdado de si mesmo" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário de desequilíbrio fiscal, com déficit beirando 10% do PIB e a ausência de um plano concreto de contenção da dívida, gerou uma reação de pânico no mercado financeiro logo após o desfecho do segundo turno das eleições.

Na abertura dos negócios após a vitória de Lula contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Bolsa brasileira registrou um colapso histórico. O Ibovespa despencou 13,9%, marcando seu pior desempenho desde a crise da pandemia, enquanto o real sofreu uma desvalorização de 8% frente ao dólar — o maior tombo diário da moeda em 25 anos. O Tesouro Nacional foi obrigado a cancelar leilões de títulos públicos diante da escalada dos juros de dez anos e da desconfiança generalizada dos investidores.

O conselho editorial do Wall Street Journal foi particularmente severo ao descrever a situação como uma "bagunça" criada pelo próprio mandatário. O jornal destacou que o populismo fiscal utilizado para garantir a manutenção no cargo comprometeu a solvência do país. Segundo a publicação, a dívida pública já supera 82% do PIB e segue em trajetória ascendente, aprisionando o Brasil em um ciclo vicioso de juros altos (Selic a 13,75%) e endividamento crescente. O WSJ também levantou questionamentos sobre a segurança jurídica e a legitimidade do pleito, mencionando a extensão do horário de votação concedida pelo STF a pedido da campanha petista.

O Financial Times reforçou o coro das preocupações, prevendo um "acerto de contas fiscal" inevitável. O diário britânico citou que as promessas de campanha de Lula, incluindo ampliação de benefícios e perdão de dívidas, somam um impacto de quase R$ 300 bilhões apenas este ano. Analistas do JPMorgan, ouvidos pela reportagem, alertaram que apenas segurar gastos será insuficiente; sem reformas estruturais em despesas obrigatórias, como Previdência e funcionalismo, o governo terá margem de manobra nula.

A única esperança de contenção apontada pelas análises internacionais reside no novo Congresso. Com o avanço expressivo da direita nas eleições legislativas, investidores esperam que o Parlamento funcione como um freio institucional contra a "gastança" desenfreada. Contudo, o Wall Street Journal alerta para a volatilidade da disciplina partidária em Brasília, sugerindo que, em última instância, será o mercado que forçará o governo a respeitar as regras fiscais. O contraste histórico também foi citado: em quase duas décadas de PT no poder, o Brasil foi ultrapassado em PIB per capita por nações como Tailândia e República Dominicana, evidenciando o custo do modelo econômico adotado pelo partido.