O cenário para o empreendedor brasileiro segue desafiador sob a atual gestão federal. Em agosto de 2026, o Brasil atingiu a marca histórica de 9,3 milhões de empresas inadimplentes, um salto de 14,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. De acordo com o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, o volume total de dívidas em atraso chegou a R$ 244,4 bilhões, distribuídos em 68,2 milhões de registros negativos.
A crise atinge com mais força a base da economia nacional: as micro e pequenas empresas. Este segmento responde por 8,8 milhões dos CNPJs negativados, acumulando R$ 211 bilhões em débitos. Em média, cada pequeno negócio deve R$ 23.902,98, evidenciando a fragilidade financeira de quem tenta manter as portas abertas diante de custos operacionais crescentes e um crescimento econômico anêmico.
Esses negócios têm menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de crescimento mais lento, analisa a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.
Em um movimento interpretado como eleitoreiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o programa Prospera MEI a poucos dias do segundo turno das eleições. A medida prevê o perdão de dívidas, transferências diretas de até R$ 5.000 e renegociações bancárias. Entretanto, a conta do pacote de bondades recairá sobre os ombros dos pagadores de impostos, com um custo estimado de R$ 16,7 bilhões para os cofres públicos.
Apesar da leve redução da taxa Selic, que passou de 15% para 13,75% ao ano em 2026, o crédito permanece inacessível e caro. Especialistas apontam que a alta na demanda por capital de giro de curto prazo — que disparou 113,9% em 12 meses — mostra que os empresários estão pegando dinheiro emprestado apenas para sobreviver e manter a liquidez, e não para investir em expansão ou melhoria da produtividade.
O setor de serviços é o mais afetado, concentrando 56% da inadimplência total. O comércio aparece em segundo lugar, com 34,7%, seguido pela indústria (6,2%). Geograficamente, o Sudeste concentra o maior volume de empresas no vermelho, com São Paulo liderando o ranking nacional (3,17 milhões de CNPJs), seguido por Minas Gerais (927,4 mil) e Rio de Janeiro (879,9 mil). No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul somam mais de 1,1 milhão de empresas em situação irregular.
