O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou uma retração de 1,8 ponto no mês de outubro, estabelecendo-se no patamar de 109,0 pontos. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo FGV Ibre, o resultado na média móvel trimestral também registrou um leve recuo de 0,1 ponto, fechando em 110,5 pontos.

Embora o índice tenha mostrado uma melhora numérica, o clima nos bastidores do mercado financeiro e entre os agentes produtivos continua marcado pela cautela. A fundação aponta que, mesmo com um arrefecimento das tensões no campo político, os fundamentos econômicos e a sustentabilidade fiscal do país ainda geram questionamentos profundos.

Stefano Pacini, economista do FGV Ibre, destacou que o cenário atual revela uma dicotomia. De um lado, há uma percepção de menor ruído político momentâneo; de outro, permanecem dúvidas cruciais sobre o rumo que a gestão econômica tomará.

O resultado evidencia que, apesar de uma redução na percepção de incerteza no ambiente político, persistem dúvidas relevantes sobre a trajetória da economia brasileira. Para os próximos meses, a trajetória do indicador tende a depender das sinalizações sobre a condução da política econômica no próximo mandato.

O mercado aguarda agora definições concretas sobre o controle de gastos e as diretrizes macroeconômicas que serão adotadas, elementos considerados essenciais para que a confiança seja plenamente restabelecida e o indicador de incerteza continue em trajetória descendente.