O mercado financeiro reagiu com entusiasmo e alívio ao desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais. O VXBR, conhecido como o 'índice do medo' da Bolsa brasileira, registrou uma queda drástica nesta segunda-feira (5), despencando cerca de 30% após o senador Flávio Bolsonaro terminar a primeira etapa do pleito na liderança.

O indicador, que mede a percepção de risco e a volatilidade esperada para os próximos 30 dias, operava em baixa de 29,33% por volta das 14h20, atingindo o patamar de 23,16 pontos. Durante a manhã, o índice chegou a tocar a mínima de 21,86. Esse movimento representa uma inversão total do clima de apreensão que dominou a semana anterior, quando o VIX Brasil renovou recordes históricos de alta, fechando a sexta-feira (2) em 32,77 pontos.

A liderança de Flávio, que obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula — uma dianteira de 2,2 milhões de sufrágios —, trouxe uma lufada de otimismo aos investidores. O Ibovespa acompanhou o movimento de euforia, saltando 8% e rompendo a barreira histórica dos 207 mil pontos. A leitura do mercado é de que o resultado fortalece a agenda de responsabilidade fiscal e continuidade das reformas econômicas.

O clima favorável também repercutiu no cenário internacional. O banco JPMorgan elevou a recomendação das ações brasileiras para 'compra' (overweight), citando o espaço para uma reprecificação expressiva dos ativos nacionais. Segundo os analistas da instituição, papéis mais sensíveis às taxas de juros figuram entre os mais atrativos neste novo cenário político.

Na metodologia da B3, pontuações acima de 30 no VIX indicam períodos de estresse elevado e incerteza institucional. O retorno do indicador para a casa dos 20 pontos sinaliza que o apetite ao risco foi retomado, com investidores apostando em um ambiente de negócios mais previsível e favorável ao setor produtivo a partir do resultado das urnas.