O governo do Irã subiu o tom neste domingo (6), prometendo uma contraofensiva "mais dolorosa" contra os Estados Unidos em caso de novas investidas militares, ao mesmo tempo em que admite o sufocamento de sua economia pelas sanções de Washington. O impasse ocorre seis meses após o início das hostilidades diretas envolvendo Irã, EUA e Israel, com um cenário de estagnação diplomática após o fracasso de um cessar-fogo tentado em junho.
A escalada verbal segue uma série de incidentes no mar. No último sábado, o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou o bombardeio a três petroleiros iranianos. A ação foi uma retaliação ao lançamento de mísseis balísticos pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra embarcações da Marinha norte-americana. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, alertou que as "regras do jogo mudaram" e que a era das respostas proporcionais ficou para trás.
A partir de agora, qualquer ataque contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais contundente e mais dolorosa, declarou Qalibaf em comunicado oficial.
Apesar da retórica belicista, a pressão interna sobre Teerã é evidente. Qalibaf reconheceu que a verdadeira batalha enfrentada pelo país atualmente é interna, focada na subsistência da população. O país lida com inflação galopante, desemprego e forte desvalorização cambial. O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que o governo responderá à pressão externa com reformas estruturais, negando que as sanções forçarão uma mudança na linha política do regime.
O setor petrolífero, pilar da economia persa, é o alvo central do conflito. A Ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país, teria sido atingida cerca de 550 vezes nos últimos meses, segundo o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad. A interrupção do fluxo de óleo bruto e o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz geram reflexos globais, elevando o preço dos combustíveis em um período sensível para o governo de Donald Trump, que se aproxima das eleições de meio de mandato.
No campo militar, a tensão se estendeu ao espaço aéreo. A agência semioficial Tasnim informou que o IRGC abateu um balão de vigilância dos EUA em Erbil, no norte do Iraque. Enquanto isso, o almirante Brad Cooper, do Centcom, reforçou a política de dissuasão americana: "Se vocês atirarem em dois de nossos navios, destruiremos três dos seus". O Irã, por sua vez, mantém o alerta máximo na região, classificando as forças dos EUA como terroristas e ameaçando qualquer embarcação que tente navegar por águas não autorizadas pelo regime.
