A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas tem início nesta terça-feira, em Nova York, consolidando-se como o palco central das tensões diplomáticas globais. O evento contará com a presença massiva de mais de 120 líderes mundiais, incluindo 71 chefes de Estado e 45 chefes de governo, além de uma robusta estrutura de apoio diplomático.
Conforme a tradição protocolar estabelecida em 1955, o Brasil será o responsável por abrir os discursos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subirá à tribuna em primeiro lugar, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A lista de oradores da sequência inclui o rei Abdullah II, da Jordânia, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
A agenda oficial destaca figuras centrais da política internacional contemporânea, como o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A presença de Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, atrai atenção especial nos bastidores, especialmente pelo possível encontro com Trump, menos de um ano após a prisão de Nicolás Maduro em território americano. Por outro lado, o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, teve sua entrada barrada pelos EUA e participará apenas de forma virtual.
Nos corredores da ONU, a movimentação é intensa. Estão previstas 1.553 reuniões bilaterais, que servem como termômetro para as negociações reais fora dos holofotes dos discursos oficiais. Os temas centrais que devem nortear as discussões incluem o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, a estagnação da guerra no Leste Europeu e as implicações éticas e de segurança do rápido avanço da inteligência artificial.
Entre os temas que devem dominar as discussões estão o conflito no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e os desafios provocados pelo avanço da inteligência artificial. A expectativa é que esses assuntos estejam entre os principais pontos da agenda da 81ª sessão da Assembleia Geral, que reúne líderes de todo o mundo para discutir questões de segurança, desenvolvimento e cooperação internacional.
A primazia brasileira na abertura da Assembleia é uma herança histórica da Guerra Fria e do prestígio de diplomatas como Oswaldo Aranha. Ao longo das décadas, o Brasil se consolidou como uma voz neutra capaz de mediar diálogos entre grandes potências, evitando que o início dos trabalhos fosse dominado por um confronto direto de retórica entre blocos rivais.
Apesar da importância do fórum, o clima é de distanciamento entre as agendas. Enquanto Lula foca em encontros com figuras da esquerda americana, como o senador Bernie Sanders, e discute temas como a redução da jornada de trabalho e governança global da IA, a administração de Donald Trump mantém o foco em questões de segurança nacional e rigor diplomático, exemplificado pelo veto ao visto de Abbas e pelo embate jurídico com veículos de imprensa progressistas que perderam credenciais na Casa Branca.
