Em uma ofensiva jurídica sem precedentes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já protocolou 85 ações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no período de pouco mais de um mês da corrida presidencial de 2026. O petista, que tenta um quarto mandato, tem utilizado a estrutura jurídica para questionar a narrativa de seu principal adversário, alegando supostas ofensas à honra e desinformação.

A estratégia lulista foca em tentar impedir que o senador Flávio Bolsonaro associe o governo petista e o partido a organizações criminosas ou responsabilize a atual gestão por problemas econômicos crônicos, como a inflação e o endividamento das famílias brasileiras. Os processos, autuados entre 16 de agosto e 22 de setembro, miram propagandas no rádio, TV e internet, incluindo o uso de inteligência artificial e trechos de discursos de Lula que a campanha governista afirma estarem descontextualizados.


O volume de ações revela uma tentativa de cerceamento do discurso da oposição no ambiente digital e televisivo. Ao todo, a coligação de Lula apresentou 42 representações e 40 pedidos de direito de resposta, além de ações de investigação judicial eleitoral. Até o momento, o aproveitamento do petista é baixo: das 85 investidas, apenas três liminares foram concedidas, enquanto sete foram negadas de imediato. A vasta maioria — 75 casos — ainda aguarda decisão ou análise de mérito, e todas as decisões tomadas até agora admitem recurso.

No campo das relatorias, a maior parte dos processos está sob a responsabilidade de ministros indicados durante a gestão de Jair Bolsonaro. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, relata 43 ações (50,6%), enquanto o ministro André Mendonça cuida de 26 (30,6%). A ministra Estela Aranha, indicada por Lula em 2025, detém 13 processos.

A artilharia jurídica do PT não se limita apenas ao filho do ex-presidente. O Partido Liberal (PL) figura como réu em 93 processos da campanha de Lula, sendo que em 20 deles o partido é o único alvo. A lista de opositores acionados judicialmente pelo governo inclui nomes de peso da direita, como os deputados Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, além do senador Rogério Marinho e Alfredo Gaspar, reforçando o cenário de judicialização intensa da política nacional nas eleições de 2026.