Em um movimento que sinaliza o pragmatismo político de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (8) que conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para sua campanha eleitoral. Ao sair de um encontro no Palácio da Alvorada, o petista foi direto sobre a importância do deputado: "Vai me ajudar a ganhar", afirmou aos jornalistas.
A reunião, que se estendeu por cerca de 45 minutos, ocorreu em um momento de tensa movimentação partidária. Apenas um dia antes, o partido de Motta, o Republicanos, oficializou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Acompanhado por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), cujo partido também se alinhou a Flávio, Motta mantém uma relação de proximidade com o Planalto, apesar da orientação formal de sua legenda.
Lula evitou comentar diretamente o fato de os partidos do chamado 'Centrão' estarem se aglutinando em torno da oposição. Questionado sobre o movimento do Republicanos e do PP em favor de Flávio Bolsonaro, o presidente preferiu não responder, focando na interlocução direta com as lideranças do Congresso.
A aliança entre o Palácio do Planalto e as cúpulas do Legislativo parece consolidada para o próximo biênio. Lula já deu sinais claros de que deve chancelar as candidaturas de Hugo Motta e Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência da Câmara e do Senado, respectivamente, em 2027. Essa articulação é vista como fundamental para a governabilidade do PT em um Congresso de perfil conservador.
Além do cenário eleitoral, o governo aposta na ajuda de Motta para destravar pautas de apelo popular, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de trabalho 6x1. A proposta, que já passou pela Câmara, aguarda votação no Senado sob a tutela de Alcolumbre. O PT corre contra o tempo para votar a matéria na próxima semana, tentando capitalizar politicamente o tema.
Enquanto Lula tenta amarrar apoios individuais de líderes do Centrão, Flávio Bolsonaro consolida uma base partidária robusta. Nos últimos dias, o candidato do PL atraiu siglas que haviam permanecido neutras no primeiro turno, como Republicanos e PP. Outras legendas de peso, como MDB e PSDB, ainda não bateram o martelo sobre qual lado apoiar na disputa final, enquanto o PSD, de Gilberto Kassab, optou por manter a neutralidade oficial.
