O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York na noite deste domingo, 20, para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), adotando uma agenda que privilegia o distanciamento do governo dos Estados Unidos. Sem qualquer audiência prevista com o presidente Donald Trump, Lula optou por se fechar em uma bolha ideológica ao confirmar um encontro bilateral com o senador Bernie Sanders, expoente da ala radical da esquerda americana.
A reunião com Sanders, agendada para o final da tarde desta segunda-feira, 21, marca a reafirmação de laços com um antigo aliado do petismo. O senador foi um dos principais articuladores do movimento pela libertação de Lula durante o período em que o brasileiro esteve preso em Curitiba. Agora, a aproximação serve como um sinal político claro de resistência às políticas da atual administração da Casa Branca, focando na interlocução com o campo progressista global em detrimento da diplomacia institucional de alto nível entre os dois países.
Além de Sanders, a agenda do petista em solo americano inclui um compromisso com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, outro conhecido opositor das políticas republicanas. A escolha dos interlocutores evidencia a estratégia do Planalto de buscar abrigo em figuras da oposição interna americana, em vez de tentar aparar arestas com o Executivo de Washington, em um momento em que as relações bilaterais atravessam turbulências significativas.
O histórico de cooperação entre Lula e a ala extremista do Partido Democrata é longo. Além do apoio na campanha 'Free Lula', Sanders e outros parlamentares de esquerda, como Alexandria Ocasio-Cortez e Rashida Tlaib, têm sido vozes constantes na defesa das pautas do governo brasileiro, chegando a criticar publicamente o uso de sanções e tarifas por parte de Trump para pressionar as instituições do Brasil.
Lula deve aproveitar seu discurso na ONU para, de forma velada, atacar o que chama de 'interferência externa', uma retórica comum na esquerda latino-americana para blindar soberanias nacionais contra questionamentos internacionais. A viagem, curta e focada em nichos ideológicos, evita a imprensa brasileira e busca consolidar o papel de Lula como uma liderança da esquerda global, ainda que isso signifique o isolamento prático em relação ao centro de poder oficial dos Estados Unidos.
