O futuro político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sob forte ameaça, segundo uma análise contundente da revista norte-americana The New Yorker. O periódico, conhecido por sua linha progressista, publicou um artigo intitulado 'A última dança de Lula', no qual prevê que o petista pode ser 'varrido' pela crescente onda conservadora que avança sobre a América Latina. O texto sugere que Lula caminha para uma derrota definitiva, o que marcaria o fim de sua trajetória pública.
O cenário descrito por Ishaan Tharoor, autor da coluna Global Notes, aponta o favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25. Após vencer a primeira etapa do pleito com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, o parlamentar de direita lidera as pesquisas de intenção de voto. A revista destaca que Flávio, seguindo o legado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, representa um movimento determinado a desmontar as políticas estabelecidas pelo atual governo.
Para a New Yorker, o resultado colhido pelo PT em 4 de outubro foi 'desanimador'. Além do revés na disputa presidencial, a direita consolidou avanços significativos no Congresso Nacional e em governos estaduais por todo o território brasileiro. Diante da alta rejeição à atual gestão federal, a única esperança de sobrevivência política para Lula seria uma mobilização improvável de eleitores que se abstiveram no primeiro turno.
'Lula tem diante de si uma derrota que pode encerrar sua trajetória política, com as probabilidades favorecendo Flávio Bolsonaro – um desafiante de extrema-direita que, assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, está determinado a desmantelar o legado de Lula', afirma o artigo.
O texto também estabelece paralelos entre a política brasileira e a norte-americana, comparando Lula ao ex-presidente democrata Joe Biden. De acordo com a análise, ambos foram figuras do 'status quo' utilizadas para barrar o avanço do conservadorismo populista representado por Donald Trump e Jair Bolsonaro. Entretanto, o artigo conclui que nem Lula nem Biden foram capazes de enfraquecer o 'trumpismo' ou o 'bolsonarismo' como movimentos sociais de massa.
A publicação reforça que o Brasil está prestes a se tornar o protagonista de uma guinada à direita na América Latina, o que deve alinhar o país novamente à administração de Donald Trump nos Estados Unidos. Mesmo em um cenário de vitória apertada, a revista alerta que Lula enfrentaria um mandato isolado e extremamente limitado por uma estrutura de poder federal amplamente dominada por forças conservadoras.
