O resultado das urnas em Minas Gerais consolidou, mais uma vez, o papel do estado como o principal fiel da balança na política brasileira. No segundo turno realizado no domingo, 25 de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva prevaleceu no território mineiro, assegurando a manutenção de uma escrita histórica: desde a redemocratização em 1989, quem vence em Minas, senta na cadeira presidencial.

De acordo com a apuração final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a totalidade das 52.062 seções computadas, o petista somou 6.351.099 votos, atingindo 50,43% da preferência local. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), representante da oposição conservadora, obteve 6.241.786 votos, o que representa 49,57%. A margem que separou os dois candidatos no estado foi de apenas 109.313 votos, um cenário de polarização intensa que já havia sido antecipado durante a campanha.

Embora o equilíbrio tenha sido a tônica no estado, a vantagem nacional de Lula foi mais elástica, superando Flávio Bolsonaro por cerca de 4,4 milhões de votos no total do país. Minas Gerais, que possui o segundo maior colégio eleitoral da nação com 16,3 milhões de eleitores aptos, reafirmou sua fama de 'termômetro' das eleições presidenciais. Das últimas 13 disputas diretas ocorridas desde 1945, o estado só não acompanhou o vencedor nacional em uma única ocasião.

A tradição de Minas Gerais em chancelar o futuro presidente começou com Fernando Collor e seguiu ininterrupta através de Fernando Henrique Cardoso, das gestões anteriores do próprio Lula, de Dilma Rousseff e de Jair Bolsonaro em 2018. Em 2026, a disputa mineira foi ligeiramente menos apertada do que o embate de 2022, quando a diferença pró-PT havia sido de meros 49.650 votos.

O desempenho de Flávio Bolsonaro no estado foi expressivo, considerando que levantamentos de institutos como a Quaest chegaram a apontar o senador na liderança das intenções de voto durante o período eleitoral, marcando 40% contra 37% do adversário. O candidato da direita escolheu justamente solo mineiro para dar o pontapé inicial em sua jornada rumo ao Planalto, apostando na força do agronegócio e das pautas conservadoras da região. Contudo, a mobilização da máquina e das bases de esquerda garantiu a Lula a vitória numérica necessária para manter a hegemonia no histórico estado.

No balanço da votação em Minas, o comparecimento foi de aproximadamente 13 milhões de eleitores. Os votos brancos somaram 1,26% (164.141) e os nulos chegaram a 2,20% (287.177). O resultado encerra um ciclo eleitoral marcado pela divisão regional e pela tentativa da oposição de quebrar a barreira histórica mineira.