A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou rapidamente, na manhã desta terça-feira, a maioria necessária para referendar a decisão do ministro André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Em um intervalo de apenas nove minutos, três magistrados já haviam votado pela manutenção da medida, em uma resposta contundente às denúncias de monitoramento ilegal contra membros da Corte.

O julgamento teve início às 10h com o voto do próprio relator, André Mendonça. Na sequência, o ministro Gilmar Mendes solicitou vista para analisar melhor os autos. Contudo, a manobra não impediu o prosseguimento das manifestações: os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam integralmente o entendimento do relator. Até as 10h09, a maioria já estava consolidada, mantendo o afastamento do chefe da corporação policial.

O estopim da crise envolve graves acusações de aparelhamento e espionagem institucional. André Mendonça alega ter sido vítima de um "monitoramento sistemático" e ilegal realizado pela inteligência da PF durante o mês de agosto. Segundo o ministro, pelo menos seis relatórios foram produzidos com análises sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o magistrado, a prática configura uma afronta inaceitável à independência de um ministro da Suprema Corte.

A controvérsia também expõe fissuras internas no STF. O afastamento ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, com base em relatórios apócrifos da PF — sem assinatura ou brasão oficial —, ter pedido uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de poder. Mendonça, por sua vez, rebateu ao revelar que o diretor da PF teria enviado tais documentos a Moraes antes mesmo de qualquer formalização, sugerindo um alinhamento indevido para incluir o colega de Corte no polêmico inquérito das fake news.

Apesar da maioria formada, o desfecho formal do julgamento está suspenso pelo pedido de vista de Gilmar Mendes, que tem até 90 dias para devolver o processo. Gilmar questionou a competência da Segunda Turma para julgar o caso, defendendo que o tema deveria ser tratado pelo Plenário. Enquanto isso, o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, deu prazo até sexta-feira para que Mendonça se manifeste sobre um recurso da AGU que tenta reverter o afastamento.

Em meio ao clima de tensão entre as instituições, Fachin declarou na última sexta-feira que a resposta do tribunal será "firme e rigorosa", destacando que nenhuma autoridade está acima da Constituição. A crise agora envolve múltiplos atores, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o próprio diretor afastado da PF, que deverão prestar esclarecimentos sobre as mensagens e relatórios que desencadearam o conflito.