O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, formalizou um pedido de acesso irrestrito aos autos do Inquérito 4.781, popularmente conhecido como o 'Inquérito das Fake News'. O magistrado fundamentou sua solicitação na necessidade de transparência e na observância do devido processo legal, levantando questionamentos sobre a forma como a investigação tem sido conduzida.

De acordo com Mendonça, a peça investigativa estaria sendo utilizada como um repositório para 'relatórios apócrifos' produzidos pela Polícia Federal. O ministro manifestou preocupação com o uso desses documentos sem origem clara, sugerindo que tais práticas podem servir como ferramentas de 'intimidação' direcionadas a autoridades públicas e figuras do cenário político nacional.

A movimentação de Mendonça expõe as fissuras internas na Corte quanto aos limites da atuação do relator do inquérito, ministro Alexandre de Moraes. O tom crítico adotado por Mendonça ressalta a percepção de que certas medidas adotadas no âmbito desta investigação extrapolam as competências constitucionais e ferem garantias fundamentais de investigados que não possuem acesso pleno ao teor das acusações.

O episódio ganha contornos de confronto institucional direto. Enquanto Moraes mantém uma postura de centralização das informações sob o argumento de preservação das diligências, Mendonça lidera uma ala que exige maior controle colegiado e clareza sobre os métodos empregados pela PF sob ordem do STF. A acusação de uso de relatórios não assinados para fins de pressão política é um dos pontos mais sensíveis da manifestação apresentada.