Em meio a um cenário de forte instabilidade interna no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça enviou um recado institucional durante um encontro com lideranças religiosas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (3). O magistrado apelou por bençãos divinas aos membros do Judiciário e enfatizou a necessidade de corresponder às expectativas da sociedade brasileira.
Que Deus nos abençoe também desse lado da mesa e todos que representam o Poder Judiciário e, de modo especial, o sistema de Justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita, afirmou Mendonça.
A fala ocorre em um momento de alta voltagem política na Corte, deflagrada por revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mendonça é o relator do caso e foi quem retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expôs diálogos entre Moraes e o empresário. Em uma das conversas, Vorcaro questionava Moraes sobre a necessidade de deixar o Brasil pouco antes de uma ordem de prisão ser executada em novembro do ano passado.
O imbróglio ganhou novas camadas com a citação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens enviadas ao banqueiro, e a posterior solicitação de Mendonça para que o tema seja debatido pelo plenário do STF, sob a coordenação do presidente da Corte, Edson Fachin.
Contudo, a crise também respingou no próprio Mendonça. Informações subsequentes revelaram que o ministro também teve interlocuções com Vorcaro em seu instituto privado, o Iter, para tratar de precatórios — tema que, na época, tramitava no Supremo e era de alto interesse do Banco Master. Mendonça defende-se afirmando que, no julgamento da matéria, seu voto foi contrário aos interesses do grupo empresarial.
Além disso, surgiram relatos de uma suposta proximidade entre Mendonça e o advogado Ciro Rocha Soares, ligado a Vorcaro. Mensagens obtidas pela investigação sugerem que o advogado teria acompanhado o ministro na compra de vestuário e tentado sensibilizá-lo sobre as dificuldades enfrentadas pelo banco junto ao Banco Central. O episódio aprofunda o clima de desconfiança mútua entre alas do tribunal em um dos momentos mais sensíveis da atual composição da Corte.

