O mercado financeiro brasileiro segue operando sob forte tensão no quarto pregão após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Os investidores ainda buscam um ponto de equilíbrio em meio à desconfiança gerada pelo resultado das urnas, que provocou uma debandada de capital e uma revisão severa nos preços dos ativos nacionais. Enquanto o Ibovespa tenta se segurar perto das mínimas do ano, o dólar futuro permanece em patamares que preocupam o setor produtivo.
Na manhã desta quinta-feira (29), o principal índice da Bolsa brasileira operava em queda de 0,25%, aos 170,6 mil pontos. O desempenho negativo estende o prejuízo acumulado na semana para quase 17%, um reflexo direto do pessimismo com a condução econômica do novo governo. Paralelamente, o dólar futuro registrava alta de 0,63%, cotado a 5.382,5 pontos, consolidando uma valorização superior a 8% desde a última segunda-feira.
A deterioração do cenário brasileiro já provoca reações no exterior. Grandes bancos globais iniciaram um movimento de redução de exposição ao Brasil, aumentando as proteções contra o risco fiscal. A percepção de analistas internacionais é de que a relação entre risco e retorno no país piorou drasticamente, especialmente com a perspectiva de que os juros precisem ficar elevados por mais tempo para conter o descontrole das contas públicas.
De acordo com especialistas, a desvalorização do real frente ao dólar deve se tornar um novo pesadelo para a inflação. Com a moeda americana mais cara, a pressão sobre os preços aumenta, o que pode forçar o Banco Central a interromper ou reduzir o ritmo de cortes na taxa Selic, prejudicando o crescimento econômico e encarecendo o crédito para as famílias brasileiras.
Tecnicamente, o Ibovespa atravessa um momento crítico. Após despencar quase 14% logo na abertura da semana, o índice entrou em zona de sobrevenda, operando muito abaixo de suas médias móveis. Embora o indicador IFR aponte para um possível "repique" técnico devido ao exagero da queda, não há sinais de reversão de tendência. O fluxo continua sendo majoritariamente de venda. Se perder o suporte de 164.835 pontos, a Bolsa pode abrir espaço para quedas ainda mais profundas, testando os 140 mil pontos em um cenário de pânico prolongado.
No mercado de câmbio, o dólar futuro tenta corrigir a disparada astronômica de segunda-feira, mas ainda opera "esticado". Mesmo com uma leve realização de lucros nos últimos dois dias, a moeda norte-americana permanece bem acima das médias históricas. Analistas alertam que, se o governo não apresentar sinalizações claras de responsabilidade fiscal, o dólar pode voltar a ganhar fôlego, com resistências que chegam ao patamar de 5.929 pontos. O clima nos corredores financeiros permanece de cautela defensiva e vigilância constante.
