O mercado financeiro reagiu com forte pessimismo nesta quarta-feira (28), em meio ao vácuo de definições sobre o rumo das contas públicas no próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário de incerteza política e o receio de descontrole fiscal derrubaram o Ibovespa e elevaram os juros futuros, sinalizando que os investidores exigem prêmios cada vez mais altos diante dos riscos no horizonte.

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, registrou queda de 2,71%, encerrando o dia aos 170.946,55 pontos. Foi a terceira sessão consecutiva de perdas, atingindo o patamar mais baixo desde agosto. A desvalorização foi puxada, em grande parte, pelas ações do setor bancário, que refletem a cautela com a trajetória da economia nacional e o impacto da falta de diretrizes claras para o teto de gastos e controle de despesas.

A apreensão dos agentes econômicos reside na indefinição sobre quem comandará a Fazenda e quais serão as medidas concretas de austeridade. Nomes como Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin circulam nos bastidores, mas a demora em anunciar uma equipe comprometida com a responsabilidade fiscal alimenta a volatilidade. No campo político, a partida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após o pleito presidencial também adicionou ruído ao ambiente de reorganização das forças oposicionistas.

No mercado de renda fixa, o estresse foi evidente. A taxa de juros de 10 anos escalou para 15,04%, um acréscimo de 13 pontos-base. Títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B longa) passaram a pagar IPCA + 7,41%, demonstrando que o mercado antecipa dificuldades no controle inflacionário e demanda maior rentabilidade para financiar a dívida pública no longo prazo.

Diante da inflação persistente e acima do centro da meta, as apostas para a política monetária indicam maior rigor. O mercado de opções já precifica 70% de chance de o Copom manter a Selic inalterada na próxima reunião, com uma fatia considerável (25%) já prevendo a necessidade de novos aumentos em dezembro. O custo elevado do crédito deve continuar pressionando a atividade produtiva e o consumo.

No cenário externo, o Federal Reserve (banco central americano) optou pela manutenção dos juros entre 3,75% e 4,00%, decisão que já estava no radar global. Enquanto isso, o dólar comercial apresentou uma leve baixa de 0,19%, fechando a R$ 5,3402, operando em sentido oposto ao Ibovespa.